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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sem Resposta



Ah, meu amor, tu lembras?
que mesmo em meio a dor
às nossas dificuldades
às múltiplas diferenças
ainda que nossas crenças
não falassem a mesma língua

e mesmo que a ternura
por vezes se dissolvesse
em lágrimas de amargura

havia um momento ímpar
muito mais que perfeito
quando junto ao teu peito
minha cabeça pousava
e teu coração pulsava
em sintonia com o meu?

Se lembras, então me explica
em que preciso momento
tudo isso se perdeu?

Autora Maria Teresa Albany (Maytê),

Por Um Momento Apenas



Quero um pedacinho de tempo para poder descansar esse peso do mundo que estou sentindo em meus ombros... Um tempo onde não me perguntem nada, nem me peçam nada, apenas me permitam o direito de dar vazão ao pranto que venho engolindo com o café da manhã de todos os dias, enquanto visto a máscara de "olhem como sou valente e forte"...

Quero ser a criança que pode chorar livremente sob o beneplácito da manha, até que me ponham no colo, restabelecendo assim o equilíbrio de que necessito para dormir em paz.

Quero ser menina novamente e me esconder no vão da escada para que todos me procurem e se preocupem comigo (ainda que, ao me encontrarem, me ponham de castigo pela traquinagem...)

Quero ser a adolescente despertando para o primeiro amor e poder vislumbrar no horizonte o barco que vem me tirar daqui e me levar para longe da escuridão e do frio...

Quero ser a mulher que teme o amanhã, que se angustia com aquilo que não ousou e se amedronta com o que há ainda por realizar...

Quero ser a aventureira em busca dos sonhos, sem ter que vê-los pintados com as cores do desânimo ou coloridos com as cores do impossível, e quero poder brincar, eu mesma, com meus sonhos como se fossem massinha de modelar ilusões... Lambuzar neles meus dedos até decidir quando precisam se desfazer...

Quero ser amiga, também, nas horas em que tudo pareça ter se perdido e encontrar apenas um ombro onde possa repousar meu cansaço, um ombro que seja tão somente silencioso... e impregnado de compreensão.

Quero deixar que me invada toda a dor do mundo neste instante, porque ela é minha, é real e é única, e que, como tal, seja aceita e compreendida... mesmo que eu não a aceite e não saiba lidar com ela...

E quero poder dizer isto ? deste jeito: ?ESTOU DOENDO, SIM? ? sem assustar ninguém, causando uma revolução tão grande que meu mundo pareça ainda mais desabitado...

Daqui a pouco tudo vai parecer diferente e novo, eu sei. Vou secar os olhos e vou à luta outra vez e da dor hei de ressurgir mais fortalecida... porque sou noventa e nove por cento feita de matéria que dificilmente se desintegra...

Então, por favor... por um momento apenas... neste meu pequeno momento mais que humano, neste meu miserável um por cento de fragilidade, me deixem ser igual a todo mundo... e simplesmente chorar....

Autora Maria Teresa Albany (Maytê)

Nudez



Do estranho vício
que me prendia a ti
liberto o corpo

e ... alma livre
parto em busca
de outro porto


no barco
dos sentimentos
que são meus

e se te causar
qualquer espanto
esse confronto

que hás de ter
com a aridez
de tua alma


despida
de emoção
usa a razão;

aquele amor
com o qual
te travestias


pensando
me enganar
já não o tens:

ele era meu!
Tu é que o usavas
como fosse teu



Autora Maria Teresa Albany (Maytê)

A Ferro e Fogo




É no silêncio do teu amor
? transbordante de gestos ?
quando mais me sinto cativada.

Na falta de inverdades,
na ausência de promessas vãs,
e na desnecessidade de palavras,
é que a ferro e fogo tu me marcas.
E são minhas próprias marcas
que me fazem reconhecer em ti
o homem que eu esperava...


Autora Maria Teresa Albany (Maytê)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Tantos de Ti Que Eu Amo



São tantos de ti que eu amo
nos meus momentos de devaneio
que eu sinto que te traio
ora com um, ora com outro

aquele maroto que me crava os dentes
e me descobre os panos, num repente
deixando-me rubra de vergonha
(ou é o prazer que me incendeia?)

ou aquele, menos afoito, mais comedido
que vem chegando de mansinho
e me leva ao céu, devagarinho
num excitante tour pelas estrelas

ah, e o poeta que me escreve versos
tortos, desconexos, cheio de entrelinhas
diz que me ama quando me quer menina
e me chama china, quando me quer amante

ou o homem confuso, complicado
desligado, desleixado e esquecido
que se desculpa baixinho ao meu ouvido
enquanto comete em mim seus pecados

são tantos de ti que eu amo
e se te traio, ora com um, ora com outro
nos meus momentos de devaneio,
a todos de ti eu amo de uma só maneira:

LOUCAMENTE

Autor

Maria Teresa Albani (Maytê)

O Depois...do Nosso Amor



A perna esquerda sobre meu ventre.
A mão inquieta (que ainda me procura).
A boca me sorvendo os últimos suspiros...
Teu gozo misturado ao meu, ambos exaustos,
em estado de graça nos quedamos.

E do doce da ternura que nos embrulha
num derradeiro abraço, antes de partirmos
para o mundo encantado dos sonhos,
ouço tua voz, vinda de muito longe,
sussurrando: Ah, mulher! Como te amo!

É desse jeito, o depois do nosso amor!

Autora
Maria Teresa Albany (Maytê)