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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Enfim...Sonhar-te



Chegar a casa e desejar-te,
Embriagado pelo teu cheiro,
E só poder, enfim, sonhar-te ?
Com o que isso tem de verdadeiro ?,

Tendo apenas uma pequeníssima parte
De um todo que se quer inteiro,
Torna-se tão mais difícil arte,
Quanto mais longe o teu cheiro.

Mas se a memória se sujeita
Ao dolo da vontade intransigente,
Se se obriga e nela aceita,

A imagem distante e verdadeira,
Terá no esforço aparente,
A sua reconciliação derradeira.

Autor Jorge Humberto

Como



Como ter-te sem te saber aqui,
Como saber-te sem te respirar,
Como te olhar vendo-me a mim,
Como sozinho e ver-te chegar;

Como aqui se te suponho a ti,
Como alguém a quem esperar,
Como perto o que longe está assim,
Como um espelho a quebrar;

Como cego e testemunhar
Que há silêncio nisto tudo,
Tão audível como o calar;

Como quando nesse instante
Fora aqui o imenso Mundo,
E achar-lhe o Levante.

Autor Jorege Humberto

Coração Apaixonado



Meu coração, deveras aconchegado,
Enfim sorri, de felicidade,
E eu estou tão assim, só e apaixonado,
O que fundo cala e é verdade.

Tua simples presença a meu lado
(Que sei eu do virtual ou da realidade?),
No te supor cheiro, olor perfumado,
Tem para mim a doce intensidade,

Das fragrâncias com tons de carmesim.
E os teus cabelos, caindo prós lados,
E o teu sorriso, são os meus bocados,

Que levarei comigo, até ao fim.
Vem... deixa-me que te diga, o quanto
És vida em mim ? e cala o teu pranto!

Autor Jorge Humberto

Rosalinda



Rosalinda, no seu caminho de casa,
Leva consigo resquícios de menina:
E trava o passo, se alguém passa,
Como quando era pequenina.

E logo no rosto sardo se enlaça,
Ligeiro rubor que combina,
Escarlate vestido com que laça
O seu corpo, na posse feminina.

Rosalinda, é hoje mulher amada,
E dos homens sua loucura!
São como matilha acossada,

Perseguindo o que julgam ser seu,
Por ministério ou por feiura,
Nunca por consentimento teu.

Autor Jorge Humberto