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terça-feira, 14 de julho de 2009

Tentativa



Théo Drummond

Durante os anos em que te conheço
tentei fazer com que tu fosses minha,
mas prosseguiste impávida, sozinha,
sem sequer perceber o que ofereço.

Na verdade, nem sei se te mereço.
Ser vassalo de ti, minha rainha,
nem fere o orgulho que pensei que tinha,
e todo o dia é sempre um recomeço.

Querer te conquistar foi uma obra
a qual a vida inteira me lancei,
mas sempre me escapaste - esguia cobra.

Não consigo saber no que falhei,
mas no pouco de vida que me sobra
deixa tentar de novo o que não sei.


Autor Théo Drummond

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Engano



Se você acha mesmo que me quer demais,
e se deu por inteiro ao amor que sentia,
de uma forma tão ampla que não fui capaz
de lhe dar o amor que achava que eu devia,

Pensa que, neste mundo, tudo o que cria
pode ser pouco menos, talvez pouco mais,
sem nunca ser aquilo que nos bastaria
pois nosso coração nunca se satisfaz.

Assim, não me condene se pareço amá-la
menos intensamente do que sou amado,
pois é um engano seu quando reclama e fala,

Sem lembrar que o amor é diferenciado:
há muito coração que ama demais e cala
p´ra não se arrepender de um dia ter falado.



Autor Théo Drummond

Obrigado



Seja o que for que queiras me falar
nem quero ouvir, pois já te ouvi demais.
A memória incumbiu-se de gravar
tudo que ouvi de ti, tempos atrás.

É que além disso nem existe mais
nada de bom para se recordar.
Portanto, na verdade, tanto faz:
o que disseres nada vai mudar.

Se no passado ouvir-te era importante
agora já não é, pois não me esqueço
de tudo o que disseste a cada instante.

Hoje, com pouca coisa me enterneço.
Nem me lembro de ti, seguindo adiante,
mas só por teres ido te agradeço.

11/01/06

Autor Théo Drummond

Segredo



Meu coração é como a boca, fala.
Só tu entendes tudo o que ele diz;
a palavra que é doce e que te embala,
que te agasalha e que te faz feliz.

Basta que para ouvires o que eu digo
apertes teu ouvido no meu peito:
meu coração irá falar contigo
como se a boca é que o tivesse feito.

dez/03

Autor Théo Drummond

Saudade



A saudade é uma coisa que perdura,
e a gente , com o sentí-la, se acostuma.
É verdade que dói e que se a atura
na esperança que a dor um dia suma.

Basta pensar num tempo que resuma
um amor que foi bom ou foi loucura,
e ei-la de volta a nós, uma por uma,
lembranças de ódio puro ou de ternura.

Não poderia ser de outra maneira:
nem sempre a vida é aquilo que se tece
nem se pode torná-la o que se queira.

Por isso é que a saudade permanece,
doendo dentro do peito a vida inteira
de uma forma que a gente nunca esquece.

dez/2005

A Estrela




A noite, olhando o céu, sempre reparo
numa estrela que é minha companheira.
Podem existir milhares que a separo
- seu brilho é um brilho de uma feiticeirra.

Mas se a noite é de chuva me preparo:
entre eu a estrela cria-se a barreira
da escuridão, mas sempre tenho o amparo
dela que brilha, além da chuva, inteira.

Tive, na vida, uma pessoa assim,
que um dia olhei e amei porque era a estrela
que escolhi, entre tantas, para mim.

No amor com que lhe quis pude mantê-la
por uma vida inteira até que ao fim
Deus a levou, mas continuo a vê-la.

Autor Théo Drummond