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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Obrigado



Seja o que for que queiras me falar
nem quero ouvir, pois já te ouvi demais.
A memória incumbiu-se de gravar
tudo que ouvi de ti, tempos atrás.

É que além disso nem existe mais
nada de bom para se recordar.
Portanto, na verdade, tanto faz:
o que disseres nada vai mudar.

Se no passado ouvir-te era importante
agora já não é, pois não me esqueço
de tudo o que disseste a cada instante.

Hoje, com pouca coisa me enterneço.
Nem me lembro de ti, seguindo adiante,
mas só por teres ido te agradeço.

11/01/06

Autor Théo Drummond

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Nudez



Do estranho vício
que me prendia a ti
liberto o corpo

e ... alma livre
parto em busca
de outro porto


no barco
dos sentimentos
que são meus

e se te causar
qualquer espanto
esse confronto

que hás de ter
com a aridez
de tua alma


despida
de emoção
usa a razão;

aquele amor
com o qual
te travestias


pensando
me enganar
já não o tens:

ele era meu!
Tu é que o usavas
como fosse teu



Autora Maria Teresa Albany (Maytê)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Quando os Olhos Secam



Quando os olhos secam
É porque já chegamos a um lugar
além das lágrimas.

Um espaço desolado e silencioso
Onde nada cresce
E os sonhos são abatidos
Por falta de sustento.

Sem perceber, alheia ao que me cerca,
cruzei o rio invisível...
E meus olhos e minha boca
Jazem, cheios de pó, no incomensurável.

Perdi as lágrimas, perdi o conforto.
Apenas o vazio
Há séculos recordo e ouço.

Autora Delasnieve Daspet

sábado, 16 de maio de 2009

Mas, Porque?...



Companheiros, solidários,
nas desventuras da vida,
minha história, sua história,
as histórias de amigos,
com pequenas variantes,
parecem todas iguais.

Um amor, felicidade,
uma entrega total...
Momentos inesquecíveis,
com tantas juras de amor,
de modo bem natural.

Foram trocas de carinhos,
foram beijos, com emoção,
amor de todas as formas,
que nos levava à exaustão.

Em nossa face estampados,
ares de apaixonados,
demonstrando o amor
vindo do interior,
do fundo do coração.

Até que um dia (que dia ! ),
sem a menor emoção,
sem motivo verdadeiro,
sem aparente razão,
sentimos indiferença.

Não vemos mais brilho vivo
nos olhos do nosso amor...
As palavras que são ditas,
proferidas com frieza,
nos trazem toda a certeza,
que nosso sonho acabou.

Sentimos que nosso mundo,
começa a desmoronar.
Ruem todos os castelos,
que nós erguemos no ar.

Há então o afastamento,
pois morreu o sentimento
que nosso amor tantas vezes,
se declarava sentir.

Começa uma nova fase,
a procura da verdade...
Queremos saber o por quê...
Se levou nosso carinho,
se partiu sem compaixão,
nosso pobre coração...

Por quê, meu Deus, mas, por quê,
não levou junto as lembranças,
o sofrimento,
a saudade ?

Autor Jose Maciel